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Lembranças do grande poeta e amigo Fernando Brant

Muitos anos atrás fui convidado a participar de um programa com o Milton “Bituca” Nascimento, na antiga TV Manchete. Tive a honra de estar ao lado de Milton Nascimento, Túlio Mourão e Adélia Prado!

fernandobrant

Passava por um momento sofrido de amor como tantos se passa por essa vida e as músicas e letras tinham o significado aumentado e doloroso para um coração apaixonado e ferido com estava o meu! Então Milton, com Tulio ao piano, cantou “Fruta Boa” que eu já conhecia e admirava do disco “Miltons”.

Foi tão lindo o estopim que tive um ataque convulsivo de choro doído e lancinante. A letra/poema tão linda e tão sincera de Fernando era a verdade do que, para mim, poderia ter sido um amor feliz. Fui em prantos consolado pela amiga Marilene Gondim que me abraçou e confortou, lavou a minha alma. Era tudo que que eu queria ter dito ao meu amor perdido. Entrei forte ao palco daí um tempo, mas fiquei com aquele momento para sempre e, tempos depois, incluí “Fruta Boa” no meu show, que é para mim uma das grandes canções de Milton e Brant!

Conheci Fernando Brant pelos amigos do Clube e, pelo que me lembro, apresentado pelo amigo Murilo Antunes, torcedor do América. Mineiro como eu, foi sempre aquele cara alegre e gentil, como estava há um mês atrás quando o vi pela última vez no casamento de um amigo.

Adorava quando ele me convidava para jogar bola na pelada que rolava no seu sítio perto de BH.

Quando fundamos o 14 Bis, em 1979, Milton, que produzia nosso primeiro disco na Odeon, pra me instigar, me mostrou uma canção “Unencounter”que havia feito com Brant nos EUA já explicando que tinham inventado uma palavra nova para a língua inglesa, pois não existia algo para “desencontro” naquele idioma, e o título era perfeito para a canção que falava da amizade a um grande amigo distante.

Fiquei chapado com a canção tão linda, e Milton me desafiou: pode tirar o cavalinho da chuva porque sabia que você ia querer gravá-la ao ouvir, mas o Fernando nunca vai fazer essa letra em português, pois de tão especial foi esse momento vivido em Los Angeles.

Fiquei pensativo e mostrei ao parceiro Vermelho Quatorze Bis que também se encantou, me incentivou a ir atrás de Fernando e apelar para a bondade do já querido amigo. E lá fomos fazer a proposta de ferir aquela obra com uma versão em português.

Fernando nos recebeu com carinho, hesitou, ficou de pensar e… pimba! Cravou “Canção da América” que gravamos em seguida no 1º disco do 14 Bis, produzida pelo Bituca e, em seguida, gravada por Elis Regina e pelo próprio Milton!

Hoje ela é um hino a amizade!

Ainda nos tornamos parceiros, mais tarde, e corrigimos essa falha com a canção “Trator” gravada em meu CD “Porque não tínhamos bicicleta”, de 2003.
Sou é sem jeito, esbarro no mundo/ O meu mal feito é querer acertar/ Sou é poeta, sou garimpeiro
Mas o meu ouro eu não pude achar/ Sou pescador que sonha seu peixe/ Eu sou um barco perdido no mar
O meu caminho, o meu desejo
É ser seu guia, seu porto, seu cais
Obrigado grande poeta! Saudades eternas!

Minha homenagem ao amigo Fernando Brant